03/05/1705: Carta para o Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo, Francisco Ribeiro, sobre a obra da fortaleza; executar a ordem do Governador do Rio de prender o padre e outros castelhanos, e notícias de Portugal e naus da índia.

 

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Duas cartas recebi de Vossa Mercê, a primeira de 7 de março e a segunda de 23 de abril, ambas deste ano, a que faço resposta. Na primeira diz Vossa Mercê havia recebido minha carta escrita em outubro do ano passado e fica advertindo no que há de obrar nos particulares do serviço de Sua Majestade, que Deus guarde, como nela lhe recomendei e assim o espero de Vossa Mercê e do zelo com que serve ao dito Senhor. Estimo que a pólvora e bala chegasse a salvamento, e fosse entregue ao Provedor da Fazenda Real dessa Capitania que devia mandar conhecimento em forma para a descarga do Almoxarife como é estilo e como me não escreveu sobre esta matéria entendo-o não fez e assim lho deve Vossa Mercê advertir para que na primeira ocasião que se oferecer para esta cidade venha o dito conhecimento a entregar ao dito Almoxarife. O vagar com que tem ido a obra da fortaleza da Barra sinto se continuasse tão lentamente como Vossa Mercê me diz por falta de cal e sucedendo assim no verão muito menos se deve esperar da obra no inverno, sem embargo de que tudo se pode esperar da atividade de Vossa Mercê pois se acha com cal para a poder continuar e desejava eu muito se acabasse durante o tempo do Governo de Vossa Mercê a quem se deve a paz e quietação que logra essa Capitania. A ordem que o Governador do Rio de Janeiro mandou a Vossa Mercê sobre o clérigo que fugiu daquela praça, a quem chamam Dom Carlos e alguns castelhanos mais de sua nação, executará Vossa Mercê pontualmente e fará toda a mais diligência possível por ver se os pode colher ou saber deles. A notícia de haver chegado ao Rio de Janeiro a nau da índia estimei muito porque me dava grande cuidado a tardança desta nau; aqui ficam duas, uma que saiu com ela de Goa o ano passado e a outra no ano de 703: de Portugal não chegaram ainda as frotas só da ilha Terceira veio um Patacho, e nas cartas que tive me dizem estivera Sua Majestade de uma febre maligna mui apertado, e em risco de vida de que se livrara milagrosamente, que invernará em Lisboa e Carlos 3.°, e se prepararam para tornar para a Campanha esta primavera e que o nosso exército se retirava ao quartel de inverno sem mais progressos que os de que já cá temos tido notícias é o que se me oferece dizer a Vossa Mercê e que para tudo o que valer me há de achar com prontíssima vontade. Deus guarde a Vossa Mercê. Bahia e maio, 3 de 1705. Dom Rodrigo da Costa.